Os diferentes saberes que ao longo da história se mesclaram na formulação dos questionamentos do discurso sobre a natureza enfatizavam aquilo que podemos chamar o environment da coisa examinada, isto é, o seu contexto. Essa situação teve uma longa duração e só foi substituída depois do século XVI, quando a revolução cientifica simbolizada por Tycho Brahe, Kepler, Galileu e outros consagrou o estabelecimento da ciência única – não permitindo mais a equivalência com os diferentes saberes tradicionais, que foram imediatamente colocados no lixo da história do conhecimento da natureza.

Reconheceu-se então o papel unificador da ciência, sua ordenação rígida dos fenômenos físicos. Sua posição dominadora culminou com a descrição do movimento dos astros, atingindo então seu momento mais elevado ao decretar a harmonia dos mundos celestes, decifrando as mensagens das estrelas e criando um universo coerente, unificado e ordenado – um cosmos.

Na virada do século XX para o XXI, um novo movimento, de dimensões ainda desconhecidas, começou a ser identificado, trazendo em seu interior o resgate de práticas e saberes tradicionais, caracterizados agora pelas ciências sociais, estudos antropológicos, as artes, as diferentes culturas. Esse movimento surgiu em um momento de compreensão de que a ciência deixara de enfatizar seu contrato universal com a função de construção formal da realidade, passando a se concentrar no caminho da tecnologia subordinada ao capitalismo globalizado. Como no processo que deu origem à revolução científica, os fenômenos sociais e econômicos também são os fatores essenciais para permitir o aparecimento desses movimentos. Esse resgate dos demais saberes não deve ser entendido como um passo atrás, afinal não se está reintroduzindo o caráter hegemônico do contexto, mas, sim, retirando essa hegemonia ao modo cientifico, à ordem que ele impôs ao seu cosmos. É esse movimento novo, essa tentativa de compartilhar a função da ciência com outros saberes que chamamos simbolicamente Cosmos e Contexto.

Equipe

Mário Novello
Eduardo Bittencourt
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